Camilo Cogiro
REVISÃO: Luiz Fernando Costa
Quando alguém decide ingressar em um partido que defende o socialismo deve primeiramente saber qual a estrutura fundante desse partido. Inclusive, legendas da atual social-democracia tentam se utilizar do termo “socialista” para ganhar legitimidade com os adeptos. Ser militante exige colaborar com a ordenação da instituição. O centralismo democrático surge como um modelo que ajuda na organização interna e que repercute nas medidas tomadas pelo coletivo.
Embora as fronteiras entre socialismo e comunismo se percam em alguns momentos, postulo que os dois sistemas são diferentes. Observo o socialismo como uma possibilidade real e coerente, enquanto vejo no comunismo uma corrente mais utópica e distante. Algumas teorias defendem que o socialismo é um momento de transição para o comunismo; porém, para mim, o socialismo é uma finalidade, em que os recursos provenientes do trabalho são divididos por quem os produz, há igualdade, ninguém é explorado e existe justiça social e equidade.
Muitos criaram teses que podem balizar a concretização de novos formatos sociais, econômicos, políticos e até comportamentais. Entre elas, o centralismo democrático. Vladimir Lenin, político, chefe de governo soviético de 1917 a 1924, complementou o escopo de Karl Marx no que tange à questão da organização partidária socialista. Lenin elaborou várias questões na obra “Que fazer?”, com a máxima: "unidade na ação, liberdade de discussão e de crítica". Essa frase nos faz refletir sobre a importância de uma direção que, embora coletiva, seja única, e guie toda a ação partidária no que se refere a ideais e modelos de luta e que defina de uma forma concordada os rumos da militância dentro da organização. Os partidos marxistas-leninistas se baseiam em vários escritos de autores inovadores e outros que adicionaram às obras iniciais ideias e conceitos.
O centralismo democrático não se trata de uma imposição final definida por uns poucos, mas sim de diretrizes que são construídas coletivamente através de uma rede em que o debate é constante e permeia toda a hierarquia partidária. Então, as conclusões a serem seguidas são fruto de uma ampla discussão multivertical, e novas formas de agir são originárias da opinião de todos. Mas vamos lá…
Após serem convencionadas as resoluções, elas devem ser adotadas na retórica de todos do partido. Portanto, a capacidade de persuasão de cada um é levada em conta no debate e no convencimento dos colegas para formar os pareceres; em centralismo democrático todos têm voz ativa e podem expressar suas opiniões, que vão influenciar as sentenças finais. As células partidárias criam redes de argumentação internas que levantam casos a serem levados para as repartições imediatamente superiores; então, se cria um debate recíproco sobre os assuntos relevantes para a condução política da instituição.
A democracia interna de um partido marxista-leninista aposta muito na coesão e na direção única no que tange às opiniões coletivas e às deliberações metodológicas e ideológicas, sendo o centralismo democrático "como um princípio indiscutível de organização partidária", de acordo com o conteúdo de congressos em que Lenin participou.
É preciso mencionar, para o planejamento de tais políticas, o destaque da qualidade no recrutamento para se formar uma instituição de vanguarda. Mesmo que em um partido de massas se enfatize a importância da quantidade de adesões, em uma vanguarda também fica evidente a necessidade da qualidade da equipe. Para se chegar a boas finalizações são precisas boas ideias, que só são possíveis de serem preparadas por militantes com consciência de classe, formação política e uma boa capacidade elaborativa e argumentativa; quanto maior a qualidade dos componentes partidários, melhores serão as ilações, os desfechos, e o centralismo chegará a conclusões com consequências mais lúcidas e aplicáveis, de qualidade.
Na expressão das opiniões, é admirável ressaltar que não se deve utilizar uma linguagem agressiva ou violenta. A base argumentativa deve partir da leitura da realidade e propor desenlaces para os problemas apresentados, assim como a ênfase nas boas decisões tomadas anteriormente e nos elogios sinceros e sensatos sobre a ação do Partido e dos colegas. A semiótica criativa de um enredo precisa ser valorizada e otimizada para um melhor relacionamento entre os membros das células e da estrutura geral.
A crítica e a autocrítica devem ser utilizadas sempre de forma construtiva, lembrando que o alvo das opiniões deve ser direcionado para a mudança e o aprimoramento social. Somos aliciados pelo sistema atual a todo momento, então é preciso todo esse trabalho de crítica e autocrítica para entrarmos no rumo certo sempre que somos coagidos pelas estruturas vigentes, as quais queremos romper, implantando uma nova forma de sociedade que não se baseie nas normas do capitalismo.
Ter um caminho comum potencializa a discussão pública. Se temos um acordo coletivo sobre nossas opiniões, podemos direcionar os esforços de forma coesa e buscar o debate com ferramentas amplas de convencimento. Então, enquanto grupo, existe a importância de priorizar reuniões, plenárias, congressos e conversas para chegar a resultados satisfatórios e que possam atender a todas as necessidades revolucionárias.
Ter um rumo livre, baseado em didática, conhecimento e esclarecimento é o que vai nos permitir tomar boas providências. Não devemos sair destilando opiniões insensatas, que fogem ao propósito primordial revolucionário. Nossas convicções devem ser baseadas nas ideias defendidas pelo centralismo democrático. As vontades de caráter coletivo são de inerente importância no delineamento da nossa luta militante em todos os espaços.
As teorizações políticas servem para balizar e guiar toda a rede de interação na criação partidária. Mas há espaço para novos conceitos, bastando que teóricos contemporâneos se dediquem a criar novas linhas, outros meios de atingir bons objetivos e novas teses que sejam capazes de melhorar a estrutura.
Diretrizes expressas pelo centralismo não fogem de máximas comuns; não haverá nenhuma resolução que destoe da consciência coletiva. Assim sendo, quanto mais uma ideia é debatida, mais rica se torna a definição; o acúmulo argumentativo é o que permite a acuidade das conclusões. A fineza e os términos são oriundos de plena conceitualização e exposição de considerações diversas.
A demanda revolucionária implica na força coletiva, que só pode ser conseguida e mantida através de movimentos que representem todos. O fraccionismo deve ser combatido em virtude da pujança única do partido. Os vanguardistas precisam utilizar o ego consciente para criar soluções conjuntas, sem ruptura, pois só através de uma força única que represente a democracia partidária é que se torna possível haver a tração fundamental para alavancar todas as lutas e angariar resultados maiores. Posteriormente, são traçados novos debates para novas definições, e são tomadas novas medidas para avançar na construção de meios compatíveis com a ideologia geral do partido.
Conclusivamente, o centralismo democrático permite o uníssono ideológico, levando adiante a força de todos!
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