Carta aos revolucionários socialistas - Por Lula em 2026

 Camilo Cogiro



Mais uma vez vou apontar: os textos que estou escrevendo em caráter de urgência, nesse ínterim entre o primeiro e o segundo turno, podem ficar menos rebuscados literariamente. São textos que, assim como mencionado, estão sendo escritos com uma necessidade muito urgente. Então, bora para o conteúdo, que é o que mais importa para os meus textos neste momento, e não frases lindas e esteticamente perfeitas.

Não é hora de titubear nem tergiversar. Estamos num momento historicamente importante. Não estou com aquela retórica de que são as eleições mais importantes de todos os tempos 5.0. Contudo, vivemos numa realidade situada e, sem dúvidas, esse pleito é muitíssimo importante para o Brasil. Estamos em plena crise social, climática, com guerras pelo mundo afora e forças da extrema-direita avançando por vários países. A disputa informacional atingiu níveis sem precedentes, e a direita é quem mais se beneficia com os conteúdos meritocráticos e de propaganda do capitalismo nas redes sociais. As big techs faturam bilhões, enquanto nós, socialistas, estamos em clara desvantagem social.

Mas isso não é motivo para desanimar, muito menos para desistir dos ideais socialistas. Muito pelo contrário, é hora de avançar com força total rumo à revolução. Porém, vou ser sincero: não acredito que qualquer revolução socialista vá se consumar por força de alguns cartazes e palavras de ordem. Por isso, devemos continuar com a combatividade e a presença nas ruas, típicas do nosso campo, mas sem esquecer que, no cenário que hoje se apresenta, a força parlamentar e eleitoral é um dos fatores decisivos para implementar qualquer política no nosso país.

Vi algumas pessoas puxando a abstenção do voto no segundo turno, e quem imprime essa ideia está prestando um desserviço à sociedade. Vivemos numa realidade, não num ideário. Compreendo as insatisfações com o governo Lula, mesmo eu estando muito insatisfeito com parte da política econômica e com as conciliações promovidas pela chapa Lula/Alckmin. Mas adianto que um governo bolsonarista, com certeza, caso se concretize, será muito pior. Muitos economistas já preveem altas taxas de inflação, bases sociais denunciam o sucateamento dos serviços públicos, as privatizações (que já são comuns), as pautas racistas e segregadoras... tudo isso vai se exacerbar em um governo bolsonarista.

Fui do PT durante 10 anos. Aprendi com colegas do PT, mas, por divergências ideológicas e pelo meu momento situado de maior convicção com o socialismo, migrei para a UP. A militância da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) é exponencialmente mais combativa e disciplinada que a militância do PT. Mas política, hoje, no Brasil, também se faz no parlamento formal. Ser combativo, estar nas ruas ou ocupar cargos eletivos não deve ser algo contraditório entre si; os dois espaços atualmente são muito importantes.

Então, não é hora de vaidades e de "egos"; é tarefa histórica votar em Lula. Mesmo que não seja por paixão (como é o meu caso), que seja por sensatez, bom senso e lucidez. Não podemos entregar o jogo de bandeja para a extrema-direita. E isso não significa ser acrítico em relação à política de Lula e do PT. Eu tenho muitas críticas a tecer, mas vou deixá-las para outro momento. Agora é hora de decidir objetivamente, sem titubear nem tergiversar.

Claro que cada pessoa tem a liberdade de consciência e de voto. Ademais, estou falando sobretudo para quem já está convencido do voto em Lula. O que está em jogo é uma última ponta de esperança moral em direção a uma política que não seja tão péssima como a do bolsonarismo.

Não vamos fazer revolução com uma faquinha de manteiga, 3 cartazes e 2 bandeiras. As forças no nosso país estão todas inclinadas para o reacionarismo — vejam o resultado eleitoral!

No governo Lula, que, como eu disse, é sim muito insuficiente, nós, socialistas, temos muito mais margem para manejar ações socialistas e muito mais liberdade para expressar nossas convicções socialistas. Precisamos preparar novas lideranças de esquerda, e sobretudo de esquerda radical, para os próximos anos. Lula é hoje a principal figura da "esquerda" e está com idade avançada. Não podemos ser imediatistas, mas sim pensar no futuro como pessoas dotadas de razão.

Não tem muito para onde correr, não temos imensas opções e, dentro de uma realidade situada, de uma conjuntura concreta, temos que evitar o pior. Já dizia Lênin que "o marxismo é a análise concreta da situação concreta". Não vivemos num ideário, não vivemos uma fantasia idealizada. Quem ainda não se radicalizou mediante o cenário que se apresenta, está perdendo tempo!

Vamos juntos! Não podemos entregar o jogo assim tão fácil (mesmo que nunca tenha sido nada fácil para nós, socialistas). Este texto reflete uma opinião pessoal, não é um comunicado institucional partidário. Tenho feito esse debate em alguns espaços sobre o apoio a Lula, e tem sido unânime entre as pessoas com as quais tenho vínculo que precisamos apoiar Lula com firmeza agora.

Fiquei muito magoado com os resultados eleitorais de 2026, mas sigo com a certeza de que farei tudo o que estiver ao meu alcance por um mundo mais justo, com mais igualdade, sem racismo, misoginia e LGBTfobia, e com mais garantias materiais. Quero um mundo em que o amanhã não seja uma incógnita. Quero um país em que ainda haja liberdade de expressão e o mínimo de possibilidade de dignidade.

“Começamos essas eleições em 2026 e não podemos terminar em 1964.”




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