Camilo Cogiro
Escrevo este texto em caráter de urgência; já sei que não vai dar tempo de fazer uma revisão tão cuidadosa ou esmerar tanto. Recentemente, postei um texto sobre o fascismo em que utilizei IA como assistente de escrita; fui muito criticado por isso. Declaro que, mesmo quando utilizo IA, não a utilizo de forma acrítica. Faço uma revisão de conteúdo posterior, mas entendo que a dispersão do vocabulário pode ficar com características de um texto feito por IA.
Mas não é sobre IA que eu quero falar hoje. Os resultados eleitorais da primeira fase do pleito de 2026 me deixaram completamente arrasado. Tenho certeza de que alguns colegas notaram minha inabilidade em lidar com as informações propagadas ao vivo sobre quem foi se elegendo.
A possibilidade de eleger Lula no segundo turno é também uma última esperança, um suspiro necessário mediante o cenário atual. Governadores de direita foram eleitos já no primeiro turno em 15 estados do Brasil. Minas Gerais teve Cleitinho, São Paulo elegeu Tarcísio Freitas, o Paraná intitulou inacreditavelmente Sergio Moro. O PL conseguiu definir 5 governadores já no primeiro turno. Isso demonstra a desmobilização popular no Brasil atual.
No Senado, o cenário foi igualmente, ou mais, desanimador. Vários senadores de partidos de extrema-direita foram eleitos com folga nos votos. E adianto: não me concilio nem com a direita, ainda mais com a extrema-direita. Comigo não tem conversinha, nem aquele papo de que “ahhh, somos todos do mesmo país, devemos viver em harmonia independentemente das escolhas políticas…” NÃO! Direitolóide comigo não se cria!
Existem duas leituras que podem ser complementares e que eu considero coerentes. Uma é que a luta social realmente promove avanços. Ela é importante para quem se envolve e para todas as esferas sociais. Com luta, conquistamos direitos trabalhistas, férias, melhores salários, posicionamentos menos desfavoráveis por parte do governo, etc. Mas existe uma outra leitura sobre o pleito eleitoral: acaba que o resultado das urnas reflete, de certa forma, a capacidade de mobilização dos partidos e quais são os projetos de país em que a população tem mais adesão. Sem dúvidas, o próprio processo eleitoral é muito injusto e favorece a reprodução do poder hegemônico — não só pelas regras do Tribunal Superior Eleitoral, como também pela postura das grandes mídias. Contudo, temos que lidar com o mundo como ele é, não viver numa bolha de utopias inatingíveis. Por isso, cada partido precisa jogar as regras do jogo (mesmo que elas sejam tão injustas como são).
O processo parlamentar institucional é muito insuficiente no Brasil. Vemos isso nas políticas que são aplicadas no cotidiano do trabalhador. Políticos que nunca pisaram num posto de saúde público legislam sobre a saúde, parlamentares que nunca dependeram do transporte público fixam o preço da passagem e a regularidade dos ônibus. Enfim! Mas temos que ter pé no chão e contato com a realidade situada.
Vejo como muito bem-intencionadas as propostas da esquerda radical, mas, infelizmente, ainda não alcançamos postos na política institucional formal. Isso não invalida a luta e o esforço, mas acaba limitando as potencialidades prementes dos nossos projetos.
Estou motivado a fazer a diferença como militante de esquerda socialista, mas, sendo sincero, ver que a própria sociedade não adere a essa cosmovisão é algo que me entristece e me rebaixa. Pensar que grande parte dos eleitores se afiniza com a extrema-direita me faz querer fazer mais, mas também é um choque de realidade para mim.
Não vou desistir, confio nos meus camaradas, nas pessoas com quem convivo, e quero um Brasil e um mundo melhores. Contudo, o resultado dessa primeira etapa do pleito de 2026 me deixou um pouco desanimado. Não no sentido de que eu queira desistir da luta, mas sim de que é uma análise de conjuntura, e a conjuntura não é nada favorável.
Temos que reagir, formar forças e referências de esquerda para os próximos tempos. O que temos para agora, para o executivo federal, é o Lula, que, mesmo insuficiente, tem o mérito de ser o único que ainda é capaz (espero eu) de vencer a extrema-direita. Mas a extrema-direita está mais forte do que nunca.
Como eu disse, eleger Lula é um suspiro de esperança, já que o país está tomado pela direita. Não é hora de titubear nem tergiversar. Temos que deixar as diferenças entre as esquerdas de lado; não é hora de críticas ao Lula, vamos deixar os divisionismos e ilusões para outro momento. Agora é hora de ir com todas as forças nessa reta final, garantir pelo menos um pingo de estima moral, num país que já está tão desmoralizado pelo entreguismo da direita.
Vamos com força, vamos agarrar essa oportunidade de vencer (pelo menos um pouco) a extrema-direita. Acredito que, no governo Lula, as políticas socialistas têm mais possibilidade de manejo. Um suposto governo bolsonarista arruinaria muitos dos meus sonhos. Por isso, estou com Lula, não por paixão, mas por razão, bom senso e lucidez!
