Arquitetos do sistema - O caminho da esquerda para 2026

 Camilo Cogiro



Estou inserido num contexto em que a crítica social é constante. Essas críticas proferidas ao sistema implementado são pertinentes e necessárias; sem questionamento, não podemos avançar nem conseguir estruturar métodos de melhoria. Já que o esquema social está em causa, é importante pontuar que ninguém é o capitalismo, mas que somos pessoas inseridas numa conjuntura capitalista. Existem os arquitetos de tal sistema, que administram suas estruturas, e assim minha atuação é exatamente o oposto dessa postura.

Não desejo um colapso social, tampouco uma crise, mas vivo em inadaptabilidade com o sistema vigente. Em um mundo em que a desigualdade, a exploração, a carência e a guerra se fazem presentes, é desafiador concordar com as coisas como estão, mas temos que destacar também os avanços e as opções válidas.

Muitos atacam o governo Lula, mas se esquecem — ou, por má intenção, não mencionam — os avanços obtidos durante este que é o governo mais avançado que o Brasil já teve na perspectiva popular do trabalhador. Os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva ficaram marcados pela ampliação de políticas sociais voltadas ao combate à pobreza, à inclusão educacional, à geração de renda e ao acesso a direitos básicos.

Esses programas priorizam a inclusão social pelo Estado, combinando transferência de renda, acesso à educação, moradia e serviços públicos. Para muitos, foram centrais na redução da miséria no Brasil; para críticos, precisam vir acompanhados de crescimento econômico sustentável.

Segundo estudos acadêmicos, órgãos públicos e avaliações independentes, as iniciativas dos governos Lula tiveram resultados comprovados, especialmente na redução da pobreza e da desigualdade, e no acesso à universidade e à saúde pública. O Bolsa Família, por exemplo, é o programa com maior consenso positivo entre os pesquisadores, funcionando fortemente e tornando-se referência internacional em transferência de renda. Criado em 2003, unificou benefícios anteriores e passou a oferecer pagamento mensal a famílias vulneráveis cadastradas no sistema social do governo, garantindo uma renda mínima para que possam comprar alimentos, manter crianças na escola e acessar cuidados básicos de saúde.

Também temos políticas como o Prouni, que ampliou o acesso ao ensino superior para jovens pobres e oriundos da escola pública. Estudos sobre ação afirmativa no Brasil mostram ganhos reais em mobilidade social e inserção no mercado de trabalho para os beneficiários, consolidando o programa como uma porta de entrada universitária.

É possível citar ainda o programa Fome Zero, uma estratégia ampla que estruturou políticas de segurança alimentar em conjunto com outras frentes, como o crescimento econômico, o Bolsa Família e a valorização do salário mínimo. Já o Minha Casa, Minha Vida entregou milhões de moradias, gerando resultados positivos como a redução parcial do déficit habitacional e o acesso à moradia formal para famílias de baixa renda.

Outro destaque é o Luz para Todos, criado em 2003 com o objetivo principal de universalizar o acesso à energia elétrica gratuita ou subsidiada para famílias que viviam sem esse recurso em áreas rurais, comunidades isoladas, assentamentos, povos tradicionais e regiões pobres do interior. Tornou-se uma das políticas públicas mais transformadoras do Brasil rural, levando eletricidade a milhões de brasileiros historicamente esquecidos pelo desenvolvimento.

Os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010 e a partir de 2023) são frequentemente associados a melhorias sociais, econômicas e institucionais, embora com contextos diferentes em cada período. Nos dois primeiros mandatos, houve forte crescimento econômico global e o boom das commodities; no mandato atual, o foco tem sido a reconstrução fiscal e social após anos turbulentos. Lula é uma liderança oriunda do movimento sindical e fundador do Partido dos Trabalhadores. Chegou à presidência em 2003 simbolizando a ascensão política das classes populares e a expectativa de transformação social. Desde então, seus governos tornaram-se referência tanto para admiradores quanto para críticos, reunindo conquistas expressivas, disputas ideológicas e fortes controvérsias.

A eleição de Lula pela primeira vez em 2002 ocorreu após décadas de desigualdade social elevada, desemprego e instabilidade econômica herdada de ciclos anteriores. Sua vitória representou, para muitos brasileiros, a entrada do povo trabalhador no centro do poder político nacional, enquanto setores do mercado e elites econômicas observavam o novo governo com cautela. Nos primeiros anos, a administração combinou responsabilidade macroeconômica com a ampliação de políticas sociais, garantindo estabilidade institucional e atendendo às demandas históricas da população pobre.

Um dos maiores legados foi a expansão das redes de proteção social e a valorização real do salário mínimo, que ampliaram o poder de compra de trabalhadores e aposentados. Houve também crescimento do emprego formal, expansão do crédito e fortalecimento do consumo interno, permitindo que parcelas da sociedade antes marginalizadas tivessem acesso a bens, serviços e oportunidades.

No cenário externo, Lula buscou ampliar a influência do Brasil, fortalecendo relações com a América Latina, África e Ásia, participando ativamente do grupo BRICS e defendendo maior autonomia diplomática. O país passou a ser visto como potência emergente e interlocutor relevante em fóruns globais.

Apesar dos avanços, os governos Lula conviveram com limites importantes. O modelo econômico permaneceu dependente de commodities e do consumo financiado por crédito, e reformas estruturais profundas — como a tributária progressiva, a democratização da mídia e mudanças robustas na concentração fundiária — não avançaram na intensidade esperada por setores da esquerda. Além disso, a conciliação entre interesses populares e elites econômicas gerou tensões permanentes, havendo, na visão de críticos progressistas, uma inclusão pelo consumo sem a transformação radical das bases da desigualdade brasileira.

Lula já ocupa um espaço incontornável na história nacional. Para apoiadores, é o presidente que mais promoveu inclusão social e dignidade aos pobres; para opositores, representa a expansão estatal, o aparelhamento político e erros econômicos. Para analistas mais equilibrados, Lula encarna a complexidade brasileira, onde avanços reais conviven com muitas contradições estruturais não resolvidas. Falar do governo Lula exige fugir tanto da idolatria quanto da demonização: seus mandatos mostraram que políticas públicas podem reduzir a pobreza e ampliar oportunidades, mas também revelaram que conciliar interesses contraditórios possui custos altos e limites concretos.

Olhando para as eleições de 2026, o cenário aponta para mais de dez candidatos à presidência em um país que segue polarizado. Pesquisas distantes do pleito medem o clima político atual e não garantem o vencedor, pois campanha, economia, alianças e fatos novos podem mudar bastante o quadro.

Respeito muito todas as candidaturas de esquerda, progressistas ou revolucionárias, como Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB). Contudo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue tendo o programa mais sólido e experiente para o governo do Brasil.

A disputa eleitoral de 2026 tende a ser uma das mais importantes desde a redemocratização, ocorrendo em um ambiente de forte debate econômico e institucional. Em resumo, a eleição deve opor novamente o campo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva e forças ligadas ao bolsonarismo, girando menos em torno de "novidades" e mais sobre a aprovação ou rejeição ao governo Lula. Hoje, as pesquisas mais recentes apontam uma disputa apertada e altamente competitiva entre esses dois polos claros.

Dentro do Utopia Brasil, já foram feitas discussões preliminares sobre apoiar ou não algum candidato, e formou-se um claro consenso em volta da figura de Lula. Nosso projeto entende que:

"Lula tem o projeto de governo mais sólido e avançado, com propostas que se alinham, em alguma medida, às transformações que almejamos para a nossa pátria. Por essa razão, manifestamos de forma antecipada nosso apoio à sua candidatura."

Essa é parte da nota que aprovamos recentemente entre nossa equipe. A decisão de apoiar Lula nas próximas eleições foi unânime, e continuaremos a publicizar seu programa e os avanços do governo atual para, assim, desgastar a extrema-direita e eleger a única alternativa ao neofascismo que se mostra viável atualmente.




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